
A cultura nordestina perde um de seus grandes mestres. Faleceu, deixando um legado inestimável, José Luiz Barbosa, o Zé do Mestre, um dos nomes mais importantes do artesanato em couro no Brasil. Natural da Fazenda Cacimbinha, zona rural de Salgueiro, nasceu em 29 de outubro de 1932 e dedicou sua vida à produção das vestimentas tradicionais do vaqueiro sertanejo.
Filho de Luiz Eugênio Barbosa, o Mestre Luiz, Zé do Mestre foi o único dos 16 filhos a seguir os passos do pai na arte de moldar o couro. Desde os seis anos, ajudava no riscado da pele e, aos nove, já confeccionava suas primeiras peças. Seu talento e dedicação o transformaram em referência na produção das 27 peças que compõem a indumentária do vaqueiro, entre gibão, guarda-peito, perneiras e arreios.
Sem oportunidades de estudo formal, Zé do Mestre aprendeu a assinar o nome em apenas 15 dias de escola. Casou-se em 1942 com Antônia de Brito Barbosa, Dona Toinha, que foi sua parceira na vida e no ofício. Juntos, tiveram dez filhos. Sua maestria fez com que suas obras vestissem não apenas vaqueiros anônimos, mas também personalidades como Luiz Gonzaga, presidentes da República, o rei Juan Carlos da Espanha e o Papa João Paulo II.
Seus gibões e outras peças de couro atravessaram fronteiras, sendo reconhecidos internacionalmente e compondo acervos de museus, como o Missionário Etnológico, em Roma. Apesar do sucesso, manteve-se fiel às suas raízes, residindo na Fazenda Cacimbinha até o fim de sua vida.
Há seis anos, por conta da idade avançada, Zé do Mestre passou o bastão para seu filho Irineu do Mestre, que desde os seis anos já ajudava a mãe a pespontar peças. Irineu dá continuidade à tradição da família e transmite o conhecimento para seus filhos, garantindo a perpetuação dessa arte singular.
A partida de Zé do Mestre deixa um vazio imensurável na cultura nordestina, mas seu legado segue vivo através de sua obra e de sua família. O mestre do couro será sempre lembrado como um guardião das tradições sertanejas e um dos maiores artesãos que o Brasil já teve.